quinta-feira, maio 28, 2020

A 90 anos o Zeppelin sobrevoava os céus de Natal. Por prof. Julio Rezende



Natal possui uma grande identidade com a área aeroespacial. 
Comemoramos no dia de hoje, 28 de maio, 90 anos do vôo do Zeppelin nos céus de Natal. Pousou no largo do Teatro Alberto Maranhão. O dirigível havia passado na cidade de Recife e Rio de Janeiro dias antes.
Naquele dia de 1930, o dirigível realizou um movimento circular durante doze minutos, com várias evoluções nos céus da cidade. Tratou-se de uma homenagem ao inventor, político e empreendedor Augusto Severo, o primeiro aeronauta potiguar.
Augusto Severo de Albuquerque Maranhão (1864-1902) foi um dos pioneiros mundiais no desenvolvimento dos dirigíveis. Em 1902, Augusto Severo construiu um dirigível com 31 metros de comprimento impulsionado por dois motores, de 16 e 24 CVs. O teste do dirigível PAX ocorreu em 12 de maio de 1902, resultando em acidente mortal para Augusto Severo e o mecânico Georges Saché.  Seu esforço foi importante para o amadurecimento da tecnologia dos dirigíveis, assim como a escrita da história aeroespacial.
            Naquele 28 de maio, no largo da  Ribeira,  o Zeppelin  pairou próximo à estátua de Augusto Severo e deixou cair um ramalhete de flores naturais, com a seguinte frase: “Homenagem da Alemanha ao Brasil, na pessoa de seu filho Augusto Severo”.
O Graf Zeppelin foi um veículo fabricado da empresa Luftschiffban Zeppelin G.M.B.H. e serviu a uma linha permanente de transporte de passageiros entre a Europa e América do Sul através da companhia Lufthansa.
            Voltando à 1930, imagino como aquele equipamento desafiando o céu e a gravidade, atiçou a imaginação dos natalenses, apresentando-se como algo do futuro que se chega ao presente. 
Vê-se nesse breve relato a importância de se valorizar a história e imaginar como esses exemplos inovadores podem ser úteis para construir uma visão desafiadora. Hoje o nome de Augusto Severo é lembrado ao dar nome ao Parque Tecnológico do RN a funcionar em área da UFRN na cidade de Macaíba. Que a história e a inovação nos ajudem a pensar novos futuros.

Mais sobre o Zeppelin:

Mais sobre Augusto Severo:



segunda-feira, maio 04, 2020

sexta-feira, abril 10, 2020

O que um astronauta pode ensinar sobre isolamento. Por prof. Julio Francisco Dantas de Rezende




O astronauta americano Scott Kelly foi convidado pela organização Explore Mars para comentar sobre como a experiência da solidão de um astronauta no espaço pode ser útil para pessoas comuns lidarem com o momento de quarentena. No streaming, realizado em 9 de abril de 2020, Scott comentou:  Na estação espacial, geralmente estamos sempre muito ocupados, depende da quantidade de atividades de pesquisa científica que necessitamos fazer!
            Destacou também que hoje estamos todos em uma mesma missão: enfrentar uma epidemia, de assumir a responsabilidade de fazermos nosso papel em manter nosso isolamento social. Enfatizou a importância de em qualquer missão na vida, como é esta época, de fazermos um calendário (planejamento) de coisas que precisamos fazer; de cuidar do ambiente (da estação e de nós mesmos) e de procurarmos melhorar esses ambientes (pessoal e coletivo).
A metáfora dos astronautas pode ser útil de muitas formas. Eu, Julio Rezende, um astronauta análogo, também opino sobre a experiência de ser astronauta: nós precisamos ser astronautas de nós mesmos! O que isso significa? Significa, metaforicamente, em sairmos de nós mesmos, como se o nosso corpo físico fosse uma estação espacial e nossa consciência fosse o astronauta que faz uma atividade extraveicular. Existe a necessidade, por um momento,  de abandonar nossa perspectiva pessoal e olharmos nossa vida de uma forma diferente, sob um novo olhar. 
Encarando o período de quarentena como uma missão espacial, quando se está no interior da Estação Internacional Espacial-ISS flutuando no espaço infinito, ou quando não se pode sair para uma caminhada, é muito importante pensar como este período pode ser produtivo.
Seja no isolamento, para combater a propagação do coronavírus, seja no interior da Estação Espacial Internacional, devemos usar nossa imaginação para observarmos o que de criativo podemos fazer neste período. A quarentena pode servir para programarmos a leitura daquele livro que foi adquirido e não lido; 2) Iniciar um curso on line; 3) escrever livros e artigos. É claro que essas sugestões são resultado muito de uma visão pessoal. Isso será importante para a saúde mental.
Além de tudo o que foi dito, este é um momento de mudança pessoal, de escrever uma nova história. Na minha experiência, só comparo agora a quando meu pai adoeceu em 1999, quando completaria 80 anos. Até então era uma pessoa ativa. Observá-lo doente durante 4 anos me fez refletir sobre a morte e a emergência de realizar importantes projetos; que não havia tempo a perder; que deveria observar como poderia contribuir para um mundo melhor. Na minha experiência, o momento atual tem o mesmo significado.
A morte e a nossa finitude é uma importante mensagem e a única certeza que temos. A morte está viva neste tempo de pandemia, sempre lembrada nos noticiários. Steve Jobs, em 5 de outubro de 2011, fez um importante discurso na formatura de uma turma da Universidade de Stanford. Disse: “Lembrar que logo estarei morto é a coisa mais importante que encontrei para ajudar-me a fazer as grandes escolhas na vida”. Desse modo, fica a pergunta: como escrever uma nova história de um caminho de felicidade e responsabilidade? Lembre-se, como o astronauta Scott Kelly destacou: faça um planejamento de como aproveitar este tempo para algo transformador!

Julio Francisco Dantas de Rezende é administrador, psicólogo, professor da UFRN e diretor da FAPERN.

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quinta-feira, abril 09, 2020

O lado B do teletrabalho. Por prof. Julio Francisco Dantas de Rezende

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Estou notando que o teletrabalho tem mudado as relações de trabalho, com expectativas ainda maiores quanto aos resultados que cada trabalhador deve apresentar. Sem o contato visual físico, controles e vigilância podem ser maiores à medida que, por exemplo, cobra-se que todos estejam examinando as demandas no grupo do Whatsapp da organização.

O homeworking pode ser nocivo à medida que ele pode promover: 1) Auto-opressão; 2) Estresse; 3) Pensamentos persecutórios; 4) Competitividade/assédio  virtual que não é vista presencialmente; 5) a ameaça à saúde psicológica, vista à real possibilidade de uma demissão em virtude de enxugamento de quadro de funcionários, ou até mesmo falência da organização.
Muitas vezes na situação de teletrabalho, os funcionários: 1)  não possuem um computador adequado, em boas condições de funcionamento; 2)  não têm uma boa internet; 3) acumulam atividades domésticas que competem com as atividades profissionais. As referidas atividades profissionais e pessoais podem entrar em conflito facilmente. Nota-se comumente a interferência de filhos e cônjuges e variados tipos de conflitos que vão prejudicar as atividades laborais. Mães, mais do que pais, podem estar sofrendo ainda mais com essas questões, devido à tradicional forma de distribuição de papeis na sociedade. 4)  muitas vezes não existe um local adequado de trabalho, muitas vezes sem bureau, sem cadeira adequada, pois muitas residências não foram pensadas enquanto locais de trabalho; 5)  falta de ar condicionado ou ventilação adequada, algo relevante em cidades e período quentes do ano, como se observa em Natal.
Além de tudo isso, há um bombardeio de informações de evolução de pessoas doentes e mortes muitas vezes amigos e parentes próximos, relacionadas ao coronavírus. Tudo isso nos chama a atenção gerando distração ou maior dificuldade de concentração no trabalho. Além disso, embates políticos em torno da forma de enfrentamento da pandemia criados pelo presidente, gera ainda mais desatenção aos objetivos de trabalho, tendo em vista debates que incendeiam nas redes sociais. Vivemos tempos difíceis e nada românticos quanto a este tempo de teletrabalho nesta época.

Julio Francisco Dantas de Rezende é administrador, psicólogo, professor da UFRN e diretor da FAPERN.
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sábado, abril 04, 2020

Tecnologias sociais no Habitat Marte: o Sistema de Tratamento de Águas Cinzas - BioMarte – por prof. Julio Francisco Dantas de Rezende



Equipe de pesquisadores da estação de pesquisa Habitat Marte desenvolveram o Sistema de Tratamento de Águas Cinzas BioMarte. O referido sistema de tratamento de água cinza (advinda de pias e chuveiros) foi desenvolvido e instalado na estação de pesquisa.  O Sistema de Tratamento de Águas Cinzas - BioMarte é uma adaptação do Sistema BioÁgua Familiar e teve a participação dos engenheiros pós-graduandos Ian Macedo, Sara Lima e Suelya Paiva, o estudante de engenharia elétrica Davi Souza e o professor Julio Rezende, todos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Pensar sobre o aproveitamento de águas cinzas (advindas de pias e chuveiros) é uma necessidade de habitações localizadas no semiárido brasileiro em áreas rurais tendo em vista as limitações em disponibilidade hídrica. 
A estação de pesquisa Habitat Marte tem como propósito de funcionar conforme um conceito de autossustentabilidade. Tal conceito envolve: o reaproveitamento de água cinzas, a coleta, tratamento e gestão da água de chuva, a produção de alimentos (através de sistemas de aquaponia e tecnologias de cultivo de baixo consumo de água) e geração e uso de energia solar.
            A metodologia de construção do Sistema de Tratamento de Águas Cinzas BioMarte envolveu a visita técnica  de pesquisadores na estação de pesquisa Habitat Marte que ocorreu nos dias 14 e 15 de março de 2020. Na visita técnica foi realizada uma análise do sistema atual e operação e fez-se levantamento dos recursos (reservatórios, tubulações e conexões) disponíveis para a construção de um novo sistema de tratamento de águas cinzas.
            Considerou-se o desenho de um sistema de tratamento que atendesse a necessidade do Habitat Marte. 
            Constata-se que o Sistema de Tratamento de Águas Cinzas - BioMarte se apresentou enquanto uma significativa melhora quando comparado com o sistema que funcionava anteriormente no Habitat Marte.
            Foi possível observar também que o Sistema de Tratamento de Águas Cinzas - BioMarte contribui para distintos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: existe uma contribuição direta para o Objetivo 6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e o saneamento para todos, tendo em vista que o sistema contribui para o tratamento e reuso de parte do esgoto gerado na estação. Percebeu-se contribuição para o Objetivo 4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos, consderando que o sistema BioMarte além de servir às operações do Habitat Marte serve enquanto um espaço para visita de escolas e universidades quando é apresentado a importância do tratamento do esgoto em um sistema circular.
Foi interessante ter na missão de desenvolvimento e operacionalização do Sistema de Tratamento de Águas Cinzas - BioMarte duas pesquisadoras, aspecto pertinente no sentido de promover a participação em atividades de pesquisa no Habitat Marte, ação relacionada ao Objetivo 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
            É possível constatar que o Sistema de Tratamento de Águas Cinzas - BioMarte apresenta as características necessárias de atender à demandas futuras de funcionamento do Habitat marte.
            Verifica-se que a proposta do BioMarte é uma adaptação quanto à proposta original do Sistema BioÁgua Familiar.

Julio Francisco Dantas de Rezende é administrador, psicólogo, professor da UFRN e diretor da FAPERN.

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sexta-feira, abril 03, 2020

O protocolo de limpeza de pratos e gestão sustentável da água do Habitat Marte – por prof. Julio Francisco Dantas de Rezende


O Método Habitat Marte de limpeza de pratos foi desenvolvido na estação de pesquisa Habitat Marte em funcionamento na zona rural da cidade de Caiçara do Rio do Vento (Rio Grande do Norte). O método é resultado também da observação do funcionamento na estação Mars Desert Research Station em Utah, Estados Unidos. O método foi criado pelo prof. Julio Rezende com colaboração de Davi Souza com o propósito de reduzir ao máximo o consumo de água durante a limpeza dos pratos. 
O propósito de refletir sobre o consumo de água na estação Habitat Marte, deve-se a essa funcionar conforme o conceito de auto-sustentabilidade, devendo consumir água da chuva que ela mesmo coletou, realizando a gestão e procurando fazer o bom uso desse recurso.
            O principal ponto do método é: 1) Pré-limpeza antes de contato com a água; e 2) a limpeza antes da contaminação. A contaminação a que nos referimos é a gordura que se deposita na parte superior dos pratos e em algumas partes dos talheres que estão em contato com o alimento.  Desse modo, não é necessário limpar todo um prato com rigor se a maior parte dos resíduos dos alimentos estão depositados na parte superior desse utensílio.
Basicamente, defende-se que os pratos venham a ser limpos antes de serem depositados na pia. As sujeiras podem ser eliminadas pontulmente, diminuindo o consumo de sabão e tornando mais eficiente o processo de limpeza. 
Nessa concepção, a pia não deve ser um local de coleta de pratos sujos, mas simplesmente um local de coleta da água que foi utilizada na limpeza dos pratos. Desse modo, isso implicaria em uma nova forma de trabalho que consistisse em retirar os pratos da mesa à medida que eles pudessem ser limpos e colocados já em escorredor de pratos, não sendo nem mesmos colocados dentro da pia. Mostra-se importante nesse modelo, uma superfície como uma grande mesa para acomodar pratos, recipientes, para aguardar a limpeza individual.
A estação de pesquisa Habitat Marte possui o protocolo de limpeza de pratos e gestão sustentável da água. São recomendações desse protocolo:
1.. Antes de lavar pratos e panelas, limpar os restos de comida;
2. Desligar a torneira quando não estiver sendo utilizada;
3. Utilizar uma bucha secundária para limpeza dos resíduos que estejam fixados e que exijam mais força para realizar a remoção;
4 – Limpar o mais rápido possível os pratos após o momento das refeições, de modo a evitar maior dificuldade de limpeza e maior consumo de água;
5 – Ir limpando panelas que tenham sido utilizadas logo após seu uso, tendo em vista ocupar menos espaço na bancada, assim como evitar que se torne mais difícil a retirada dos resíduos de alimentos;
6 – Guardar utensílios que não tenham utilidade e que venham a ocupar espaço no próximo procedimento de limpeza de pratos.

Vantagens da pré-limpeza: 
a) acúmulo de resíduos que podem servir para a compostagem, reuso em processos de agricultura orgânica ou alimentação de animais domésticos;
b) água mais limpa facilitando os processos de reaproveitamento da água nos sistemas de produção auto-sustentáveis.

Desvantagens observadas no modelo atual de limpeza de pratos:
1. Maior desperdício de água;
2. Mais tempo para limpeza dos pratos;
3. Uso de mais detergente;
4. Maior impacto no meio ambiente;
5. Mais trabalho;
6. Mais esforço físico;
7. Mais gasto de outros recursos consumidos no ambiente como: energia (luz/ ar condicionado);
8. Maior custo de operação;
9. Mais desgaste/ estresse psicológico;
10. Maior possibilidade de quebra de pratos e copos, tendo em vista a necessidade de se utilizar mais sabão e esses utensílios ficarem mais escorregadios;
11. Maior exposição ao adoecimento, pelo tempo dispendido em uma mesma postura física e por maior contato das mãos com os produtos de limpeza (caso não esteja usando luvas) que pode gerar doenças de pele e outras alergias.
            As desvantagens relacionadas justificam a proposição do protocolo de limpeza de pratos e gestão sustentável da água.
A motivação da publicação deste artigo deve-se a observar alertas da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte – CAERN quanto às possibilidades de falta de abastecimento de água, até mesmo uma crise, devido a ter aumentado significativamente o consumo de água durante o período em que as pessoas estão em isolamento na época do coronavírus. Outra razão deste artigo é estar mais tempo em domicílio assumindo mais tarefas diárias, como a limpeza dos pratos, entre outros afazeres.
A limpeza de pratos pode parecer um tema de menor importância, que não merece atenção, mas se refletirmos sobre métodos errados sendo utilizados nesse procedimento em milhões de residências em todo o mundo é possível observar a pressão nos sistemas de abastecimento, muitas vezes gerando a falta de água em atividades essenciais, contribuindo para o colapso da qualidade de vida nos centros urbanos, pois poderá se imaginar caixas sanitárias sem água para dar descarga, ou a falta de água para a limpeza das mãos. Esse é ainda um cenário totalmente caótico e de maior impacto em organizações hospitalares. Desse modo, esse é um tempo de grande responsabilidade e vermos como podemos observar melhorias em diferentes esferas da atuação humana.

Julio Francisco Dantas de Rezende é administrador, psicólogo, professor da UFRN e diretor da FAPERN.

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